domingo, 25 de julho de 2010

Preservação urbanística em debate

Prezados amigos
EU AMO BRASÍLIA, E VOCE?

ASSUNTO IMPORTANTE QUE DEVE TER ATENÇÃO DE TODOS.

ROBERTO CASTELLO



Começa hoje em Brasília a 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, evento que vai discutir a situação dos bens tombados pela Unesco


Adriana Bernardes

Publicação: 25/07/2010 07:40 Correio Brasiliense

Brasília, a primeira cidade moderna reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural da Humanidade, será palco de uma ampla discussão sobre a conservação e o risco que correm os bens já tombados pela entidade. Durante a 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial — que terá a participação de pelo menos 180 delegações — vão ser analisadas também as novas candidaturas a bens tombados. O encontro começa hoje e se estende até 3 de agosto.

Com base nas análises do Conselho Internacional para Monumentos e Sítios (Icomos), da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e do Centro Internacional para Estudos e Preservação do Patrimônio Cultural (ICCROM), os especialistas vão avaliar se outros bens — materiais ou imateriais — se encaixam nos requisitos para terem reconhecidas as qualidades que futuras gerações mereçam conhecer e desfrutar.

Apesar de estar sendo monitorada por conta da descaracterização do plano urbanístico de Lucio Costa, a situação de Brasília não deve entrar na pauta do comitê. Haverá, porém, uma atividade paralela ao encontro para tratar exclusivamente dos problemas relacionados à cidade. “A ideia é discutir os desafios e as estratégias para a preservação de Brasília”, explica o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, chefe da delegação brasileira na sessão.

O primeiro alerta sobre os desrespeitos à capital tombada se deu em 2001, quando Brasília foi tema de um relatório elaborado pelo urbanista holandês Herman Hooff e o arquiteto argentino Alfredo Conti. Juntos, eles elaboraram uma lista de recomendações que garantiriam a preservação do Plano Piloto. Como o Correio vem denunciando desde o último domingo, a maioria das observações continua sendo ignorada.


Em 2001, um relatório apontou desrespeitos ao tombamento: bloqueio dos pilotis do Plano Piloto é um deles
O relatório de Conti e Hooff não incluiu Brasília na lista do patrimônio em risco, mas fez alertas importantes. “As mudanças que ocorreram na cidade e em suas vizinhanças alteraram parte do seu conceito original, mas, até a presente data, não a ponto de deixá-la inelegível para o status de patrimônio mundial”, diz um trecho do relatório de 2001.

A geógrafa e presidenta da Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento, Mônica Veríssimom, não minimiza o fato de Brasília ter ficado fora da lista dos patrimônios em risco. “No caso de Brasília, pode chegar uma hora em que já não se reconheçam as características da `matriz` e do `lastro em que ela se apoia`, como diria Lucio Costa. Então, teremos perdido uma cidade que foi criada em termos do `Brasil definitivo que continua voltado para o futuro` e que teve o privilégio de ser alçada a Patrimônio Cultural da Humanidade”, preocupa-se.

Nova categoria
Durante o encontro promovido pela Unesco, os representantes brasileiros vão tentar aprovar uma nova categoria de reconhecimento: a de paisagem cultural urbana. Ela reconhece a relação entre o desenvolvimento e a dinâmica da sociedade, um grande desafio para todos os países com bens tombados. Há dois anos, os técnicos se debruçam sobre o tema e já estudam enquadrar o Rio de Janeiro como candidato a essa possível categoria. “Seria um meio de reconhecer a sensibilidade do homem que, ao longo de quase 500 anos, constrói uma cidade em meio a uma natureza excepcional e dialoga com ela, construindo uma segunda natureza”, detalha o presidente do Iphan.

As discussões vão passar ainda por um debate filosófico sobre os rumos da convenção, analisando se ela tem obtido êxito no trabalho a que se propõe e se a atuação pode ser ampliada. “É um espaço de trocas multilaterais dos diversos estados e nações com diferentes políticas. De uma certa maneira, um bem ser eleito Patrimônio da Humanidade cria outros agentes preocupados e ocupados com esse bem, para além dos habitantes e dos governos locais”, lembra Luiz Fernando.

O Comitê do Patrimônio Mundial tem representantes de 21 Estados Partes da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e o Patrimônio Natural, eleitos pela Assembleia Geral dos Estados Partes do Convenção. Atualmente, integram o grupo Austrália, Bahrein, Barbados, Brasil, Camboja, China, Egito, Estônia, Etiópia, França, Iraque, Jordânia, Mali, México, Nigéria, Rússia, África do Sul, Suécia, Suíça, Tailândia e Emirados Árabes.

A capital em debate

» “Brasília e o patrimônio mundial moderno” será o tema de um debate promovido pelo Correio Braziliense na próxima quarta-feira. Mediada pela jornalista Conceição Freitas, a discussão terá a presença de Francesco Bandarin, diretor do Centro do Patrimônio Mundial da Unesco; Luiz Fernando Almeida, presidente do Iphan; e Sylvia Fischer, mestra em preservação histórica. O debate será no auditório do Correio e quem quiser participar pode inscrever-se gratuitamente pelos telefones 3214-1388 e 3214-1290, ou pelo site www.correiobraziliense.com.br/doispontos

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