domingo, 28 de novembro de 2010

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OFÍCIO DE VAQUEIRO É PATRIMÔNIO IMATERIAL DA BAHIA


Em sessão plenária realizada no dia 24 de novembro de 2010, o Conselho
Estadual de Cultura da Bahia - CEC, aprovou por unanimidade a inserção do
Ofício dos Vaqueiros do Estado da Bahia, no “Livro do Registro Especial dos
Saberes e Modo de Fazer”. Com isso o Ofício de Vaqueiro - seus saberes
e fazeres -, passa a ser reconhecido pelo CEC como Patrimônio Cultural
Imaterial da Bahia.

A solicitação de registro estadual do ofício de vaqueiro como Patrimônio
Imaterial, foi encaminhada pelo antropólogo Washington Queiroz - membro
titular dos Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Nacional de Cultura
através de Ofício dirigido ao IPAC, em 03 de maio de 2010 e ontem teve o
parecer aprovado pela Câmara de Patrimônio e, seguida, pelo plenário do
CEC.

Segundo o conselheiro Washington Queiroz, com a aprovação por parte do
CEC o processo está bem encaminhado, mas ainda não concluído. Para gerar
as conseqüências positivas para os vaqueiros e todo o acervo cultural por ele
produzido, que a condição de ser considerado pelo Estado Patrimônio Imaterial
traz, precisa ainda ser encaminhado pelo secretário de cultura Márcio Meireles
ao governador Wagner. Só após a assinatura do decreto pelo governador
Wagner se tornará Lei.

Mas isso – comenta Queiroz – deverá ser bem planejado. Trata-se de uma
data histórica (após 460 anos de atividades dos vaqueiros e sertanejos na
Bahia) e, certamente, deverá haver toda uma programação em torno do
Ato. Afinal esse reconhecimento marca, de fato, uma guinada no conceito
daquilo que se convencionou chamar e difundir como Bahia. Se inicia uma
nova etapa de inclusão, reconhecimento e pertencimento cultural no Estado
em toda sua vigorosa riqueza, que deixa de ser apenas Baía (de Todos os
Santos) e caminha no sentido de ser a Bahia (de todos os Cantos e Santos).
Onde a figura pioneira do vaqueiro e o seu sertão que, diga-se de passagem,
constitui a maior parte do nosso território, é reconhecido como espaço
significativo e criador de todo um acervo cultural determinante e estruturante
para o fortalecimento sócio-cultural da Bahia – sua diversidade, pluralidade e
inclusão social. É a assunção por parte do Estado de que a Bahia é, também,
sertaneja. E isso significa muito. Enriquece: reconhece outros ritmos, ambiente,
arquitetura, culinária, estética, mitologia, crenças, tradições e acervos.
Caminha no sentido de oxigenar uma certa Bahia que tende a ser folclorizada
e estandartizada como se fosse mono - apenas litoral e recôncavo.


Enfim, em minha opinião, o reconhecimento do Ofício de Vaqueiro com
Patrimônio Imaterial, em razão do símbolo que o vaqueiro significa, é
determinante para que a Bahia, de forma ampla, inicie o necessário
rompimento do apartheid cultural de quase cinco séculos, que historicamente
discrimina, exclui e não dá o devido pertencimento ao referenciais do seu
diverso acervo cultural. E assim resgate mais este débito que tem implicado
em enfraquecimento e extinção de manifestações culturais devido a certo
colonialismo reflexo do mar para com o sertão.
Abraços


Washington Queiroz 71 - 88379062
Membro do CEC
Membro do CNPC - Patrimônio Imaterial

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