sábado, 9 de abril de 2011

PARA QUE SERVEM OS POETAS


Luiz Martins da Silva

Quero de Tagore o mais humilde dos estrados [*],
Último estendal dos mutilados em recosto,
E dos espíritos vagos em desassossego
Asas para a fuga de precipício já aberto.
E se não tiver meu canto alguma serventia,
Sequer um fio a desfiar novelos bem atados,
A que servirei com desencantos em porfia,
Senão aos corvos os nacos disputando?
Melhor empenho se puder alçar do nada
O desabuso que se firma em residência na palavra;
Poder dizer alguma coisa a mais que o vento,
Aos que divisam ao longo uma luzinha sobre as águas.
Melhor de mim será o ponto de fusão da alquimia,
Qual da cana o caldo grosso vazando do bagaço,
Fartum que entusiasma as obreiras da colmeia,
Este, sim, festim a transcender da natureza os dejetos.
Referência ao poema Aqui é o estrado para teus pés, de Rabindranath Tagore.

Nenhum comentário:

Postar um comentário